segunda-feira, 10 de junho de 2013

Orgasmo no parto. É possível?

Parto e Orgasmo. Porque essas duas palavras na mesma frase soam tão estranho? 

Fui escalada pelos meus colegas Bernardo e Stela para fazer o primeiro post oficial do nosso blog e já fiquei com um tema quente.  Adorei! 
Quando ainda pesquisávamos sobre temas que discutiríamos aqui mostrei pra eles esse vídeo. Eu já conhecia e eles logo concordaram comigo que era algo importante de explorarmos. Como falaremos de todo o processo de formação de pais, nada mais justo que comecemos falando do parto.

Aviso que o vídeo contem cenas inapropriada para os pequenos, ok?


Essa reportagem foi ao ar no ABC News 20/20 e mostra mulheres tendo orgasmos durante o trabalho de parto. É em inglês mas as imagens dizem muito. Vários casais foram entrevistados e relatam como é possível ter um orgasmo durante o parto. 

Quando pensamos em parto tenho certeza que a maioria ainda visualiza mulheres descabeladas, sofrendo muito, gritando de dor em intervalos regulares, pedindo anestesia pelo amor de Deus, com raiva dos maridos, parceiros, namorados ou qualquer que seja o homem que a faz passar por essa dor insuportável. Homens perdidos, indo de um lado pro outro sem saber o que fazer, enfermeiras passando de um lado pro outro ignorando o pobre coitado como se ele só atrapalhasse. Exatamente como no vídeo. 
Soa familiar, não? Esse estereótipo é bem comum. Muito retratado na ficção e relatado por várias mulheres. 

Ainda associamos parto a dor, necessariamente. É por isso que quando falamos de orgasmo, a definição máxima de prazer isso soa tão estranho. Não vou aqui dizer que a dor não vai acontecer de forma alguma. Estamos falando de contrações uterinas tentando fazer um bebê sair pelo canal vaginal, isso pode doer! Mas estou falando também de abrirmos nossos horizontes e descontrairmos a crença de que vai doer muito sempre, necessariamente. Dor é algo sentido por todos nós seres humanos, mas como significamos e experienciamos a dor é algo singular. Único em cada um de nós. 

Vamos a um jogo de raciocínio. 
Médicos indicam como um método eficaz para induzir o trabalho de parto no final da gestação o sexo, dentre outros. Isso em casos de uma gestação de 40 semanas completas ou mais em que a mãe não entra em trabalho de parto. Essa indicação é por causa de uma substância que até pouco tempo, pouco sabíamos sobre: a Ocitocina! 

Quanto atingimos o orgasmo liberamos essa substância linda chamada Ocitocina. Na verdade, agora já se sabe que ela causa o orgasmo. A mesma, MESMA substância que precisamos para causar e regular as contrações uterinas. Que depois do parto mantém a contração do útero impedindo hemorragia, que ajuda na lactação. 
Essa substância sintetizada pelo hipotálamo ganhou espaço e entendimento mais profundo no início da década de 90. Presente em homens e mulheres, o próprio toque pele a pele é suficiente para sua produção no cérebro. 

Então, juntando A+B = É real a possibilidade de orgasmo durante o parto! Pensar que temos uma mesma substância atuando em momentos tão aparentemente distintos como orgasmo e parto torna tudo mais próximo, não é mesmo? 

O papel do parceiro durante o trabalho de parto, apoiando física e emocionalmente a mulher é fundamental. A Ocitocina ou também chamada  de Droga do Amor, é liberada quando somos tocadas pelo amado, quando nos beijamos. Ela também pode ser responsável por transformar experiências potencialmente estressantes em oportunidades para expressar amor e alegria. Ela permite que mesmo com essa imagem estereotipada de dor construída ao redor do parto, mulheres ainda queiram passar novamente pela experiência. É por isso que é possível ter um orgasmo durante o parto.  Não é mito e coisa de gente estranha e alternativa. Basta nos despirmos de preconceitos. A Ocitocina faz tudo isso! E o que impede que desfrutemos disso são nossa imagens mentais de mulheres sendo retratadas sofrendo muito, então nosso cérebro já entende que é isso que vai acontecer. Dor! Se abrirmos nossa cabeça, talvez o prazer aconteça. Que tal? 

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